PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

sábado, 18 de junho de 2011

CAMPO ALEGRE: 27 ANOS DEPOIS DA OCUPAÇÃO

Vinte e sete anos após a ocupação, a região de Campo Alegre, na Baixada Fluminense/RJ continua sendo, oficialmente, um "acampamento".
As famílias que ali se instalaram na década de 80 se reproduziram, criaram seus filhos, netos e até hoje não tiveram reconhecidos os títulos de posse das terras que ocupam e de onde produzem suas existências.
A ausência de políticas públicas de saúde, transporte, segurança, cultura, esporte, meio ambiente, agricultura, (...) revela a face perversa de um Estado burguês, autoritário, capitalista, desumano e insensato.
Mas os movimentos sociais fazem a parte que lhes cabem na atual conjuntura: RESISTIR, DENUNCIAR E REAGIR!
Nesse contexto, a Escola Municipalizada de Campo Alegre, mantida pela Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu, vem - sob a influência dos movimentos sociais e cumprindo um papel humanitário, integrador e mobilizador - assumir o compromisso com o resgate da história de luta das pessoas que ainda resistem e vivem no bairro. Tal compromisso se expressa na decisão dos profissionais que atuam na E.M. Campo Alegre em adotarem a EDUCAÇÃO DO CAMPO como única MODALIDADE DE ENSINO possível para reverter as décadas de descaso e ausência do Estado que resultou na evasão da juventude e de diversas famílias que participaram da ocupação. Só a Educação do Campo, através da incorporação dos saberes dos movimetos sociais, poderá sensibilizar os governantes para as necessidades da reforma do prédio da escola, da implantação do segundo segmento do Ensino Fundamental, da pavimentação da estrada que dá acesso ao bairro, da designação de um dentista e de um médico para o Centro Comunitário, da disponibilização de um telefone público (a escola não possui telefone nem sinal de celulares ou rádio - nem o bairro), e da formulação e execução de políticas públicas que incentivem a agricultura familiar, a produção de alimentos (não mercadoria) de forma segura, sustentável e agroecológica.
As parcerias com o MST, com intelectuais orgânicos da UFRRJ, UFRJ, CEFET/NI e outros profissionais do Estado sensíveis aos problemas da humanidade, solidários às lutas dos povos do campo e da cidade serão vitais para o sucesso dessa empreitada: A IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO.
O diálogo intenso e militante com todos os atores (pais, alunos, professores e funcionárioos, sindicatos, associações, igrejas, ...) que participam do cotidiano da escola, a gestão democrática com eleição de um Conselho Escolar representativo e autônomo e de uma Direção Escolar comprometida com tais mudanças também será imprescindível para a execução dos projetos aqui a serem perseguidos.
A FORMAÇÃO CONTINUADA dos profissionais da educação lotados na E.M. Campo Alegre, o acesso a cursos, livros, seminários e encontros que possibilitem a atualização e o contato destes profissionais com a produção de conhecimentos já produzidos na área é outro fator decisivo.
Por fim, nenhuma das questões acima apontadas será possível ser concretizada sem o compromisso e a responsabilidade da atual gestão da SEMED/NI e a consequente vontade política da Prefeita Sheila Gama.

Um comentário:

  1. Parabéns companheir@s.

    Torço pelo êxito desta comunidade, que expressa o sonho secular dos trabalhadores deste país.
    Rozângela

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